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O Dízimo 8

Número 8

 

            Como escrevi em artigo anterior, Deus era quem instituiu a ordenança do dízimo. Ele o instituiu para segurar a manutenção do Tabernáculo no Deserto e posteriormente o Templo de Salomão. Esta manutenção incluiu a manutenção dos sacerdotes e outros que cuidavam destes lugares de louvor e adoração a Deus. Deus queria que eles não tivessem outras responsabilidades além das tarefas na Casa Dele.

            José, um dos filhos de Jacó, cuja história pode ser lida no livro de Gênesis, foi vendido como escravo para uma caravana de ismaelitas, que por sua vez o vendeu como escravo no Egito. José teve um espírito excelente e por isso foi singularmente abençoado por Deus. Anos passaram e José, por causa de sua provada sabedoria, subiu a ser o segundo mais poderoso no reino do Egito. Assim ele foi um instrumento nas mãos de Deus para salvar toda a sua família. José teve dois filhos, os quais se tornaram progenitores de duas das doze tribos da nação. Deus separou os descendentes de Levi para ser a tribo que cuidaria do Tabernáculo e Templo. É fácil ver que desde o início Deus sempre queria homens que se dedicassem exclusivamente a Sua obra. Veja o conselho de Paulo para seu filho na fé, Timóteo, que era do ministério: "Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou. Igualmente, o atleta não é coroado se não lutar segundo as normas. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a participar dos frutos. Pondera o que acabo de dizer, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas." (II Timóteo 2:4-7) Uma das razões por que a obra do Senhor não avança mais é que seus ministros são obrigados trabalhar secularmente para sustentar a si mesmos e suas famílias. Oxalá que todos tivessem seu tempo integral, não para ser ociosos e preguiçosos, porém, envolvidos com exclusividade na obra espiritual. Veja só o que quase aconteceu na igreja primitiva e a solução: "Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço [secular]; e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra." (Atos 6:3-4) O versículo sete descreve o resultado desta sábia decisão: "Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé."

            O tamanho do crescimento que poderia haver na Igreja do Senhor hoje, caso seus ministros não fossem obrigados a se preocupar com a sustentação de si mesmos e suas famílias, podendo se dedicar à oração e à Palavra, ainda não é visto. Ministros poderiam sair dos seus recintos privados cheios de poder, e autoridade espiritual, sendo uma brasa de fogo no púlpito que acenderia os membros da igreja, e convencer os pecadores da sua iniquidade e necessidade de se arrependerem.

            Os que recusam dar seu dízimo estão atrasando e impedindo o crescimento da Igreja do Senhor. E, ainda que sejam salvos, terão de prestar contas a Deus por seus atos egoístas e atitudes materialistas, perdendo seu galardão.

            Sim, Deus estabeleceu o dízimo para este fim, não somente para edificar prédios e templos, contudo para sustentar seus ministros que têm o dever de dar tudo de si para a obra de Deus e em prol de um mundo perdido.

Philip D. Walmer