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O Abra├žo

 

            Fui criado em uma família com raízes alemãs. Na minha família não havia muitos abraços, beijos e palavras de amor. Estas coisas simplesmente não faziam parte convívio, e talvez fossem consideradas como sinal de fraqueza. Gostei dos meus pais, e tenho certeza que eles me gostaram, até me amaram muito. Gostei muito dos meus avôs e particularmente meus avôs maternos. Minha avó paterna era muito simpática e meiga, enquanto meu avô paterno era homem um tanto severo que jamais demonstrou qualquer afeto para nós, seus netos.

            Nosso ambiente de criação era assim, sendo também no meio de muitos holandeses. Assim, todo o período de criação foi um em que as emoções não foram desenvolvidas de forma adequada. Mas sendo assim e não sabendo que havia outra forma de convivência entre familiares e parentes foi simplesmente aceito que a vida é assim.

            Acredito que isto veio a afetar até meu relacionamento com Deus. A severidade de avô e pai contribuiu para a visão que a gente tinha de Deus; que Ele, como Pai Celestial, era severo da mesma forma e para ser temido. A ideia que Deus poderia ser amoroso, gracioso, misericordioso, longânimo, paciencioso, generoso e fácil de aproximar era difícil de compreender devido a falta de tais atributos de pais naturais, apesar de todos eles serem cristãos. Quero dizer com tudo isso, que a importância do relacionamento entre pais cristãos e filhos é de suma importância para que a ideia com respeito a um relacionamento entre o divino e o humano fosse corretamente compreendida. Levou-me anos para chegar a um relacionamento amoroso entre eu e Deus. Levou mais tempo ainda para reconhecer que Deus não sempre procurava motivos para me castigar.

            Chegando ao Brasil entre um povo mais expressivo do seu afeto um para com os outros foi um tanto difícil para compreender. Era difícil para aceitar os abraços afetuosos dos homens e mais ainda das mulheres. Retribuir da mesma forma foi ainda mais difícil. Mas, com tempo consegui superar os por menores da minha criação, e aceitei os abraços tanto dos homens quanto das mulheres como simples demonstração de afeto sem malícia.

            Não somente aprendi um melhor relacionamento humano, mas Deus me levou a conhecê-Lo melhor e finalmente compreendi com mais perfeição que Ele me amava intensamente. Durante minha oração matinal de hoje, compreendi que a minha oração, minhas expressões de gratidão, minhas palavras sinceras de "Eu Ti Amo, Senhor", eram aceitas por Ele como se fosse um abraço físico. Comecei me regozijar nisto, e à medida que eu apertava meu abraço a Ele por meio do meu louvor e verdadeira adoração, eu percebi que Ele estava me apertando com um abraço cada vez mais forte.

            Talvez de uma forma mais forte que senti bem no abraço de mãe, pai, cônjuge ou amigo, eu senti tão maravilhosamente bem, sabendo que Deus me amava, que me amava mesmo, e que tinha prazer em me abraçar. Que maravilha! Oxalá que todos que professam ser crentes pudessem sentir o abraço que eu senti esta manhã! Como é bom ser filho obediente a Deus e receber Dele um abraço bem afetuoso. Procura, pois Ele lhe ama. Abraça-O com seu louvor e afetuosa adoração, e certamente Ele vai lhe retribuir com um forte abraço paternal.

Philip D. Walmer