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Philip D. Walmer

Nascido nos EUA em 1941, formou-se em teologia de Conqueror’s Bible College em 1962 e ingressou no ministério no mesmo ano. Após 12 anos de ministério em vários níveis em sua terra natal, chegou ao Brasil em 1974, onde tem atuado como fundador de igrejas, pastor, evangelista, professor de seminário, entre vários cargos administrativos. Após quase 5 décadas de ministério ele anela compartilhar as coisas aprendidas no decorrer destes anos com pessoas que também anelam um ministério amplo e profundamente sucedido.

Devocional


 
Fome e Sede

 

Essas duas condições humanas são sentimentos muito motivacionais. Elas são emoções muito fortes que podem evocar as ações mais interessantes. Algumas pessoas se levantam no meio da noite para comer porque sentem fome e cedem à vontade, mesmo que possa ser prejudicial para a saúde delas. Pessoas em terrível necessidade correm o risco de serem presas por roubar apenas para satisfazer sua fome intensa.

 

Uma das descrições mais gráficas que já li foi algo que aconteceu durante a expedição de Lewis e Clark para a parte ocidental do que é agora os Estados Unidos. Os líderes e seus companheiros encontraram uma tribo de índios que estavam em situação calamitosa. Eles estavam morrendo de fome e logo morreriam se a ajuda não chegasse a tempo. Eles não conseguiram aproximar perto o suficiente dos animais selvagens para matá-los com seus arcos e flechas e não tinha mais nada economizados para alimentar a si mesmos e suas famílias.

 

Um membro da expedição de Lewis e Clark conseguiu matar um cervo com o uso do rifle dele. Os índios estavam com tanta fome que caíram sobre o animal morto e começaram a comê-lo cru. Tudo estava sendo consumido. Um dos exploradores do grupo testemunhou um indiano que estava comendo a tripa sem lavar. Ele simplesmente espremeu os excrementos e comeu as tripas não lavadas. AGORA, ISSO É FOME DE VERDADE!

 

Em 1976, menos de dois anos após de nossa chegada no Brasil, durante nosso primeiro turno de quatro anos como missionários, minha esposa foi atingida por hepatite. Logo depois que ela recuperou meu segundo filho e eu fomos acamados com a mesma enfermidade. Perdi peso e estava tão fraco que mal conseguia andar do quarto para a sala da casa. Eu sempre tive um bom apetite, mas essa doença me fez perder o desejo de comer. De fato, até o cheiro da comida sendo preparada para os outros membros da família faziam meu estômago ficar revoltado. Durante essa jornada de enfermidade a fome foi desconhecida. Eu era uma pessoa completamente diferente. Percebi que a fome é muito importante, pois sem ela uma pessoa não come e, no meu caso, isso debilitou ainda mais meu estado de saúde. Algumas pessoas, a fim de recuperar e manter sua saúde, não tendo apetite por alimentos de qualquer tipo, tomam drogas para aumentar o apetite. Elas devem comer ou morrer.

 

No final dos anos 80, tive o privilégio de viajar cerca de 4000 quilômetros para o norte do Brasil, para uma área mais primitiva, para ministrar às pessoas que haviam sido recentemente convertidas à verdade da Palavra de Deus. As estradas eram terríveis. O transporte era difícil, mas a necessidade dessas pessoas nos levou a ignorar as dificuldades e o desconforto para poder fortalecê-las em sua nova fé. Nós voamos para uma cidade bastante primitiva. No início da manhã seguinte, embarcamos em um ônibus em péssimas condições que nos levaria cerca de 160 quilômetros adiante, mais para o coração da floresta Amazônica. O ônibus quebrou deixando-nos desamparados a beira da estrada de terra sob um sol cruel. A sede tornou-se um problema forte e real. Logo adiante de nós e debaixo de uma ponte precária, havia um pequeno rio, mas ninguém do meu grupo estava disposto a arriscar beber água do riacho, pois não tínhamos ideia de que contaminações poderiam tê-lo poluído. Vários caminhões passaram e pouco a pouco outros passageiros dos retidos embarcaram nestes que carregavam toras, e continuaram a viagem deles. Finalmente, apareceu outro caminhão que parecia mais seguro para nos levar adiante em nossa jornada. No entanto, este caminhão quebrou um eixo e ficamos desamparados mais uma vez, sem nada para beber. Finalmente, outro caminhão chegou, embarcamos nele e conseguimos chegar à cidade pequena mais próxima. Aquele caminhão teve que parar em um posto de combustíveis para consertar alguns pneus furados. Entrei na loja e comprei uma garrafa de refrigerante. Eu bebi o conteúdo da garrafa inteira sem parar. Oh, como era bom sentir aquele líquido frio na minha boca e garganta. Comprei outro e bebi em três goles. Eu aprendi um pouco acerca de uma sede real naquele dia.

 

A satisfação da fome e sede natural é muito importante. Precisamos comer e beber para manter nossa vida. É interessante, no entanto, com que frequência vemos pessoas que afirmam ser Cristãos, mas continuam a tentar satisfazer seu apetite, que deve ser por alimento espiritual, com, podemos dizer, alimento sem qualquer valor espiritual que nada faz para satisfazer a verdadeira natureza espiritual do homem. Eles participam dessas coisas mundanas e, como acontece com o comer de alimento rico em caloria, porém sem valor algum para a saúde, tornam-se cada vez mais doentes espirituais, sem poder para ministrar aos outros e muitas vezes nem mesmo ganhando suas próprias batalhas espirituais.

 

Também devemos satisfazer a fome e a sede espirituais, caso contrário morreremos a morte eterna daqueles que não conhecem a Deus, mesmo sendo considerados como Cristãos..

 

Paulo estava na prisão quando escreveu o seguinte a seu filho na fé, Timóteo. Observe cuidadosamente a ênfase neste versículo. "Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos..." (II Timóteo 4:13) Ele queria sua capa, obviamente para mantê-lo aquecido. Ele queria alguns livros de valor, porém deu ênfase especial aos pergaminhos. Quais foram esses itens que o levou a falar com tanta urgência sobre eles? Eles eram obviamente uma cópia manuscrita muito preciosa e valiosa das Escrituras do Antigo Testamento (A lei e os profetas). "Traga os pergaminhos", implorou Paulo. Por quê? Ele era faminto por ler novamente a lei de Deus escrita nos Livros da Lei (Pentateuco) e os profetas.

 

Eu posso imaginar Paulo ansioso para ler os Salmos e suas palavras de encorajamento, ou, talvez as palavras de Jesus. Mas a lei? Josué, tendo acabado de assumir a liderança de Deus o povo foi ordenado a ler e meditar sobre a lei. Observa cuidadosamente: "Este livro da lei não se apartará da tua boca; mas nele meditarás dia e noite, a fim de que possas observar e fazer de acordo com tudo o que nele está escrito, porque então farás próspero o teu caminho, e serás bem sucedido." (Josué 1:8, BKJ Fiel)

 

O Livro dos Salmos começa com algumas palavras muito sábias para aqueles que continuariam a ler o restante do livro: "Bem-aventurado o varão que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará."

 

Vamos agora ao Novo Testamento e às palavras de Jesus. Em Mateus 5, 6 e 7, Jesus está ensinando a uma multidão muito grande, dando-lhes princípios a respeito do reino ao qual Ele veio estabelecer. Entre as bem-aventuranças, encontramos essas palavras mais importantes em Mateus 5:6: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos." Está muito claro que somente aqueles que têm fome e sede de justiça serão satisfeitos.

 

Também está muito claro que a fome e a sede não podem ser por qualquer coisa. Deve ser para a "justiça". O que exatamente é a justiça? Segue como o dicionário define a palavra. "Caráter, qualidade do está em conformidade com o que é direito, com o que é justo; maneira pessoal de perceber, avaliar aquilo que é direito que é justo.” Em outras palavras, conduta irrepreensível, virtude, ser certo de acordo com as leis de Deus, justo, reto. (Ver Jó 1:1)

 

É difícil para alguns conquistarem a vitória sobre o desejo de coisas carnais que satisfaçam a carne e a natureza carnal. Eles batalham e lutam, aparentemente sem sucesso. Estes devem fazer uma mudança em seus desejos, em sua dieta diária (não para alimentos naturais). "E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede." (João 6:35)

 

Para vencer a batalha sobre a carne, é preciso fazer duas coisas de acordo com esta escritura: 1. Primeiro deve ir ao Senhor. O Senhor não vem realmente a nós. Devemos mostrar um desejo por Ele indo para Ele. “Ir” denota ação, às vezes muita ação. 2. É preciso crer no Senhor, crer na totalidade das Escrituras e mostrar essa fé por ação. A fé é sempre demonstrada por ação. É mais do que apenas dizer... eu creio; está fazendo algo que prova que crê. A oração fervorosa, sincera e regular é uma daquelas coisas que prova nossa fé. Pessoas que não oram regularmente, simplesmente não crêem que isso faça alguma diferença.

 

O filho pródigo pensou que havia muito prazer no mundo que ele precisava experienciar. Sua fome e sede eram por aquelas coisas que gratificariam sua carne e desejos carnais. Mas chegou o dia do acerto de contas. Nós o encontramos cuidando de uma manada de porcos, algo em absoluta desobediência à Palavra de Deus. Note Lucas 15:16 e onde sua fome carnal finalmente guiou-o: “Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.” Então, veja onde a fome e a sede pelas coisas erradas podem levar alguém.

 

Fiquei muito emocionado novamente ao ler Salmos 42:1-4 (RC) em preparação para esta mensagem. Nota com interesse a expressão de fome e sede de Davi: "Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus? As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, porquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus? Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão; fui com eles à Casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava."

 

Mesmo depois de 71 anos, ainda me lembro da fome e da sede que encheram meu coração de oito anos logo depois que me arrependi. Oh! Eu queria tanto ser cheio do Espírito Santo. Nunca houve hesitação quando a chamada ao altar foi feita no final da mensagem. Eu estaria no altar buscando Deus com todo o meu coração. Molhei o banco com minhas lágrimas, meu nariz escorreu como um rio e encharcaria um ou mais lenços. Finalmente, após três anos de busca a Deus dessa maneira, Deus me deu uma experiência para nunca ser esquecida ou para ser duvidada. Sua glória encheu meu pequeno coração e alma. Por que demorou tanto tempo? Eu não sei, mas uma coisa eu sei, eu aprendi a orar e esperar em Deus.

 

Philip D. Walmer, Pastor

Avisos

Leitor,

Você quase não encontra tempo para ler Sua Bíblia. É difícil de ler alguns livros, então montei uma tabela de Leitura Bíblica que lhe ajudará. Vá até o site: www.simfiel.com.br/rec_adult.php

 

 

A dádiva de amizade verdadeira é que nos toma pela mão e faz nos lembrar que não estamos sozinhos nesta jornada.